O Brasil, apesar de ser o maior produtor de proteína Halal do mundo, ainda participa timidamente desse mercado global, estimado em US$2,7 trilhoes anuais com 1,6 bilhão de consumidores. Tido pelos árabes como estilo de vida, o Halal é uma prática que vai além do campo religioso e coloca regras para vários setores.

Com base no livro sagrado do islamismo, o Alcorão, e nos ensinamentos do profeta Mohammad, as normas que o Halal estabelece na produção de alimentos passam por segurança alimentar, direito dos animais e rituais religiosos, mas englobam também procedimentos éticos em outras áreas como na comercialização de cosméticos, vestuário, medicamentos, serviços financeiros, de hotelaria e gastronomia.

Na produção de carne, por exemplo, os produtos devem ser saudáveis e contribuir para um melhor funcionamento corporal e espiritual, respeitando o bem-estar dos animais que, na hora do abate, não devem sentir dor.

No ano passado, o Brasil exportou US$13,59 bilhões de produtos com esse selo à comunidade Árabe, que vê no avanço da certificação a alavanca necessária para impulsionar o volume exportado de forma significativa.

Atualmente são 29 países autorizados a produzir usando a certificação Halal, que está sendo padronizada em regras internacionais que indicam todos os procedimentos e padrões a serem seguidos.

Não se sabe ao certo quantas certificadoras Halal existem no Brasil, mas produtos como açúcar, carnes, grãos e químicos estão no topo da lista das exportações aos Árabes e recebem atenção especial.

De olho no aumento dessas negociações e em seu potencial, a Federação Islâmica do Brasil (FIB) Halal, entidade sem fins lucrativos, lançou sua certificadora em 2017, com capacidade para atender a cerca de mil empresas por ano.

A intenção é viabilizar a acreditação de companhias sob o selo Halal por meio de treinamento, supervisão e fiscalização para garantir a sustentabilidade dos processos e o cumprimento das regras islâmicas. “Hoje 40% da carne produzida no Brasil são certificadas. Mas poderia ser muito mais. Queremos garantir que 100% dos processos realmente estejam sendo cumpridos.”, diz Nasser Fares, idealizador e presidente da FIB Halal.

O empresário diz que vários investidores Árabes têm interesse em abrir fábricas exclusivas de alimentos halal no Brasil e só não fazem pela falta de segurança alimentar e certificações confiáveis. “Se acordos multilaterais entre Brasil e países Árabes se realizarem, queremos ser a certificadora oficial e vemos potencial para que as exportações nacionais para os mulçumanos se multipliquem por vinte.”, projeta Fares, que mantém 35 profissionais diretamente envolvidos com essa atividade.

Dubai, em 2013, foi considerada a capital da economia islâmica e praticamente todos os setores de sua economia seguem as regras Halal. “É a cidade quem tem a maior gama de produtos e serviços. Até mesmo no sistema financeiro, em produtos orgânicos e nas inovações tecnológicas. Esta é uma tendência e vejo vários governos dando ênfase à busca por essas conformidades.”, diz Abdur Rahim Ghulam Nabi, conselheiro-sênior da Zona Franca da União dos Emirados Árabes. A cidade concentra 47 zonas francas (com tarifas alfandegárias diferenciadas), que juntas somam 1,7 mil empresas, e são pilares de seu centro de desenvolvimento econômico.

Estima-se que o mercado de alimentos Halal represente 16% de toda a indústria mundial de alimentos e deva aumentar para 20% em um futuro próximo, com Ásia, África e Europa representando 63%, 24% e 10% respectivamente.

As maiores nações muçulmanas estão localizadas no sul e sudeste da Ásia. Na Europa, o mercado Halal conta com cerca de 40 milhões de muçulmanos. Nos EUA, há aproximadamente 9 milhões e no Canadá, 800 mil. E no Brasil, cerca de 1,5 milhão de muçulmanos.

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