O Iêmen está há quatro anos em uma guerra civil sem precedentes. Os combates deixaram o país, que já era um dos mais pobres entre os árabes, à beira de uma crise de fome que, segundo as Nações Unidas, afeta até 14 (catorze) milhões de pessoas. A ONG Save The Children acredita que cerca de 85 (oitenta e cinco) mil crianças menores de cinco anos já morreram por desnutrição nestes quatro anos. Além disso, a capacidade econômica dos iemenitas é “inexistente”. Jogar luz ao tema é essencial para que, em todo o mundo, as pessoas percebam quão grave é a situação no Iêmen e as consequências dessa que já é a pior crise humanitária do planeta.

O conflito tem suas raízes na Primavera Árabe de 2011, quando uma revolta popular forçou o presidente a deixar o poder nas mãos do vice. Supunha-se que a transição política levaria à estabilidade, mas o novo presidente enfrentou muitos problemas, entre eles, denúncias de corrupção e ataques terroristas vindos da Al-Qaeda. Aproveitando-se do ambiente de instabilidade, o movimento huti (Houthis em inglês), que defende a minoria xiita do Iêmen, tomou o controle de parte do território e desiludidos com a situação política, muitos iemenitas, mesmo sunitas, apoiaram os hutis, e, ao final de 2014, os rebeldes tomaram a capital, forçando o novo presidente a se exilar. O país é importante por sua localização no estreito de Bab al-Mandab, que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden, pelo qual passa grande parte dos navios petroleiros do mundo.

A situação escalou dramaticamente em março de 2015, quando a Arábia Saudita e outros oito países árabes (majoritariamente sunitas) apoiados pelos Estados Unidos, Reino Unido e França, fizeram ataques aéreos contra os hutis com o objetivo declarado de restaurar o governo. A coalizão temia que o sucesso dos hutis daria ao Irã, rival regional (de maioria xiita) e acusado pelos Sauditas de apoiar os hutis com armas e suporte logístico, um ponto de apoio no Iêmen.

Segundo as Nações Unidas, a situação no Iêmen é um desastre humanitário. Mais de 6.800 civis morreram e ao menos 10.700 ficaram feridos desde março de 2015. Mais da metade dos mortos e feridos foram vítimas de ataques aéreos da coalizão saudita. Segundo o Conselho de Direitos Humanos da ONU, os civis têm sido vítimas de “implacáveis violações da lei humanitária internacional”.

Em 2017, um surto de cólera afetou um milhão de pessoas, das quais 2 (duas) mil morreram – muitas delas, crianças. Foi a maior e mais rápida epidemia já registrada, e ela se espalhou velozmente em função da destruição dos sistemas de encanamento e saneamento. Na cidade portuária de Hodaida, há graves problemas com apagões, indisponibilidade de água potável e de medicamentos.

Cerca de 75% da população (22,2 milhões de pessoas) precisam de assistência humanitária urgentemente, incluindo 11,3 milhões em situação grave, que requerem ajuda imediata para sobreviver. A piora da situação é tal que, segundo a ONU, há 14 milhões de pessoas que sofrem de insegurança alimentar, 8,5 milhões das quais se levantam sem saber se terão algo para comer ao longo do dia. E a desnutrição aguda ameaça a vida de aproximadamente 400 mil crianças menores de cinco anos.

Só metade das 3.500 instalações sanitárias do país funcionam completamente, o que significa que 16,4 milhões de pessoas carecem de assistência médica básica. A guerra também forçou mais de três milhões de pessoas a fugirem de seus lares. Dois milhões seguem deslocados. Todos os esforços organizados pela ONU para negociar um acordo de paz fracassaram.

De acordo com a BBC Brasil, o conflito no Iêmen tem sido descrito como “guerra esquecida” pela escassa atenção que tem recebido do resto do mundo, apesar da gravidade. Como o que acontece ali pode exacerbar as tensões na região, os países ocidentais temem mais ataques. A situação é absolutamente instável.

As agências de inteligência ocidentais consideram que a Al-Qaeda na Península Arábica é o braço mais perigoso do grupo por seu conhecimento técnico e alcance mundial. Grupos associados ao Estado Islâmico também tem ganhado força no Iêmen.

A situação é tão caótica e fora de controle que a FAA – Federal Aviation Administration, órgão que controla a aviação dos Estados Unidos, atribuiu alerta amarelo ao Iêmen. Essa indicação proibe ou restringe os voos em território Iemenita, em função da presença de grupos extremistas e da forte possibilidade de ataques terroristas.

As autoridades diplomáticas em todo o mundo desaconselham quaisquer deslocações ao Iémen, incluindo o território arquipelágico, devido às precárias condições de segurança e à instabilidade política do país. Além disso, como foram encerradas as atividades de grande parte das Embaixadas na capital, não existe, na prática, a possibilidade de apoio consular.

Author

A Braver é uma empresa brasileira especializada em comércio exterior e relações internacionais. Pioneira na aplicação do conceito de sustentabilidade aos negócios internacionais. Autoridade em trading, importação, exportação, outsourcing, internacionalização, branding, otimização tributária e projetos internacionais de alto desempenho.

Escrever Comentário