A despeito de uma política externa que, pelo que tudo indica, será pouco convencional, a comunidade empresarial tem boas expectativas com o novo governo. Para 2019, a aposta é pela continuidade do foco nas exportações como estratégia de negócio e não mais como alternativa emergencial.

Esse conte´udo também foi publicado pelos jornais Estado de Minas, Correio Braziliense e Diário do Comércio.

*Por Kaio Cezar de Melo.

Ao que parece, a palavra de ordem será abertura. E, desde que acompanhada das reformas domésticas que tanto impactam nosso desenvolvimento, será muito bem-vinda. Hoje, a presença do Brasil no comércio mundial é inexpressiva, algo em torno de 1%. Somos um gigante tímido. Timidez, essa, fruto da burocracia, da infraestrutura deficitária e da mão-de-obra, em geral, improdutiva.

Precisamos olhar para além da América Latina, assumir um papel mais relevante entre os BRICS (grupo de países de economias emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e avançar rumo à OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

A instabilidade política pela qual o Brasil passou nos últimos anos nos deixou em pé de desigualdade em relação aos demais países do BRICS. A China, por exemplo, está a um passo de se tornar a maior economia do mundo. Precisamos simplificar o trânsito intelectual entre esses países e não perder de vista nações como Canadá, Estados Unidos, Israel e Japão, que tanto nos agregariam em ciência e tecnologia.

Desde a entrada para a OCDE, México e Chile têm registrado crescimentos expressivos no produto interno bruto. Nossos vizinhos Argentina, que conta com o apoio declarado dos Estados Unidos, e Peru, já acenaram nessa direção. A chancela da OCDE favorece, entre outros aspectos, a atração de investimentos ao país, já que seus membros possuem um alto padrão de transparência nas relações e na gestão pública. A longo prazo, fazer parte do grupo pode corroborar a competitividade das empresas brasileiras e posicionar o país em um patamar internacional mais relevante.

No cenário doméstico, são necessários mais bons exemplos como o da Camex (Câmara de Comércio Exterior do Brasil), que acabou de lançar um guia de Boas Práticas Regulatórias que culminou na eliminação de 249 burocracias no comércio exterior, estabelecendo um marco regulatório consistente e transparente, bastante alinhado aos padrões internacionais.

Outro ponto importante são os obstáculos para empreender no Brasil. Hoje, ainda perde-se boa parte do tempo preenchendo papéis, indo a cartórios e/ou reclamando da telefonia, da internet, dos bancos. O empreendedor deveria concentrar seus esforços exclusivamente no desenvolvimento do seu negócio e o governo, de fato, precisaria ser parceiro das empresas, papel que o Sebrae tem desempenhado muito bem para as micro e pequenas.

Precisamos olhar para além da América Latina, assumir um papel mais relevante entre os BRICS e avançar rumo à OCDE.

Quando o assunto é importação e exportação, precisa haver simplificação cambial, nos financiamentos, nas adequações jurídicas, no recolhimento de tributos. Não faz muito sentido que o empreendedor domine, tecnicamente, as equações tributárias ou tenha despesas administrativas em função delas. Uma alternativa, já aplicada em Hong Kong, seria a tributação de empresas com menos de dois anos de operação, exclusivamente sobre o lucro auferido, e/ou a criação de um imposto único e mais barato, espécie de VAT, amplamente difundido no exterior, sendo a União, a responsável pelo repasse aos estados e municípios.

Na infraestrutura, apenas 13% das rodovias são pavimentadas e a malha ferroviária não alcança nem 15% do mapa logístico do país. A situação nos 37 portos em operação no Brasil também não é fácil. Em 2017 foi registrado o menor repasse portuário em 14 anos. Mas, além de recursos incipientes, falta gestão. Não há governança corporativa, o que abre precedente para corrupção e diminui o interesse do investidor estrangeiro. Nesse contexto, a licitação dos portos seria uma alternativa.

Que seja bem-vindo o pragmatismo, a presença de profissionais técnicos em áreas-chave e a disposição para negociação com grandes nações. Que venham também as reformas estruturais que nos permitirão crescer para além da subjetividade das expectativas e que tenhamos um projeto de país consistente a longo prazo, com uma pauta de exportação de alto valor agregado – não escorada no agro – e com pequenos e médios empreendedores que, mais do que ouvir falar, saibam da importância da internacionalização para a perpetuidade de seus negócios.

 

*Kaio Cezar de Melo é CEO da Braver.

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A Braver é uma empresa brasileira especializada em comércio exterior e relações internacionais. Pioneira na aplicação do conceito de sustentabilidade aos negócios internacionais. Autoridade em trading, importação, exportação, outsourcing, internacionalização, branding, otimização tributária e projetos internacionais de alto desempenho.

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